quinta-feira, 20 de março de 2014
Dedos
Estes e aqueles. Dos pés e das mãos. Digitais. Rugas. O dedo que serpenteia pelo teu corpo a noite é o mesmo que toca a campainha do teu apartamento. É o mesmo que pede uma bebida no bar, por sua culpa. O dedo que pelo teu cabelo passa é o mesmo que agora tecla, é o mesmo que agora peca. O dedo que faz o sinal da cruz, dentro de ti já esteve. O dedo que aponta, apronta. O dedo que desmonta, não monta. Para. Para e pensa. Se quiseres o meu carinho me pegue pela mão. A tua poeira ficou entre meus dedos desde a hora que se foi. E eu fiquei. Morda as minhas falanges, corte as minhas unhas. Mas volte, volte a ser o destino do meus dedos. E bata, me bata forte com um tapa. Um tapa forte de cinco dedos. E me deixe marca. Uma marca vermelha de cinco dedos. E bote fogo. Me bote álcool. E deite, me durma bem.
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