quinta-feira, 20 de março de 2014

Dedos

Estes e aqueles. Dos pés e das mãos. Digitais. Rugas. O dedo que serpenteia pelo teu corpo a noite é o mesmo que toca a campainha do teu apartamento. É o mesmo que pede uma bebida no bar, por sua culpa. O dedo que pelo teu cabelo passa é o mesmo que agora tecla, é o mesmo que agora peca. O dedo que faz o sinal da cruz, dentro de ti já esteve. O dedo que aponta, apronta. O dedo que desmonta, não monta. Para. Para e pensa. Se quiseres o meu carinho me pegue pela mão. A tua poeira ficou entre meus dedos desde a hora que se foi. E eu fiquei. Morda as minhas falanges, corte as minhas unhas. Mas volte, volte a ser o destino do meus dedos. E bata, me bata forte com um tapa. Um tapa forte de cinco dedos. E me deixe marca. Uma marca vermelha de cinco dedos. E bote fogo. Me bote álcool. E deite, me durma bem.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Vômito.

"Expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca." Vomitou em cima dos pratos que usávamos. Sujou a minha casa com a minha própria amargura. O que se tem dentro do outro nada mais é do resquícios das coisas que deixamos escapar. Botou tudo pra fora. Me expulsou pra fora de si. Praticou o desamor nos lençóis onde nos amávamos e me deixou nu em um quarto sem escape. Levou os cabides onde pendurávamos nossas almas cansadas e deixávamos para trás tudo de ruim que a roupa guardava. O sossego também levou. Levou tudo que tocou. Levou a minha parte mais bonita, que em mim não habitava. Deixou sujeira, deixou bagunça, restos de sentimentos amontoados dentro de um balde cor lilás. Eu não vou chamar ninguém, eu não quero tudo limpo. Quero sentir a tua sujeira, esse vômito que deixou.